sábado, 16 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Uma Nobreza, que de Nobre Nada tem...
Por nobre, entendiam os antigos um herói, isto é, um homem distinto dos
mais homens, e distinto por si, e não por outros; pelas suas próprias
ações, e não pelas ações alheias. O heroísmo, e a nobreza, eram
qualidades pessoais, e não hereditárias.
Estes e muitos outros pretendiam não menos nobre origem que a celeste, como descendentes dos deuses imortais; esta fábula não durou um dia só e admira-se que ela tivesse autoridade no conceito de homens polidos, sábios e prudentes, e, com tanta força que chegassem a fazer das fábulas, religião. Aquela foi a nobreza dos antigos, nobreza que tinha por princípio um engano introduzido e respeitado.
Desta sorte vem a nobreza a ser um meio por onde o vício se autoriza, o crime se justifica e a vaidade se fortalece. Cuidam os nobres, que a nobreza lhes permite tudo, mas cuidam mal, porque o certo é que a nobreza bem entendida não se fez para canonizar o erro.
Os efeitos da nobreza são muitos; ela dá merecimento, valor, saber, a quem não o tem; ela serve para fazer venerado a quem o não deve ser; ela faz que o crime fique muitas vezes impune; que a desordem se encubra, e se disfarce; que a soberba, a arrogância e a altivez, fiquem parecendo naturais e justas.
A história é uma das provas, com que a vaidade alega, e de que mais se serve na autenticidade da nobreza: prova incerta, duvidosa, fingida, e também algumas vezes falsa: nela se vêem muitos sucessos famosos, ações, combates, vitórias; muitos nomes a quem essas mesmas ações enobreceram, ilustraram. Mas, de quantas ações fará menção a história, que jamais se viram? De quantos sucessos, que nunca foram? De quantos combates, que nunca se deram? De quantas vitórias, que nunca se alcançaram? E de quantos nomes que nunca houveram? Não é fácil, que pelas narrações da história se possa descobrir a verdade dos sucessos; ela comummente se escreve, depois de terem passados alguns ou muitos séculos, de que se segue, que a mesma antiguidade é uma nuvem escura, e impenetrável, donde a verdade se perde, e esconde. Se a história se escreveu ainda em vida dos heróis, o temor, a inveja, a lisonja bastam para corromper, diminuir, ou acrescentar os fatos sucedidos: por isso já se disse, que para ser bom historiador, é necessário não ser de nenhuma religião, de nenhum país, de nenhum partido, de nenhuma profissão e mais que tudo, de preferência não ser homem.
Só para o homem estava guardado o serem distintos uns dos outros, e o distinguirem-se, não pelo valor de cada um, mas pelo valor das coisas que os distingue. A nobreza foi a maior máquina, que a vaidade dos homens inventou; máquina admirável, porque sendo grande, toda se compõe de nada. As outras vaidades, parece que são menos vãs, porque sempre têm algum objeto visível, mas por isso mesmo a vaidade da nobreza é uma vaidade sem remédio; mal incurável, porque se não vê.
Ainda a nobreza dos antigos tinha mais corpo, porque os ilustres iam buscar os seus ascendentes nos seus deuses e desta sorte ficavam os homens meio humanos e não inteiramente. Só assim podiam ser distintos, e desiguais na realidade. As distinções permaneceram, enquanto duraram as suposições da origem. Conheceu o mundo a impostura, e logo os deuses se acabaram, deixando os seus descendentes, feitos homens como os outros, e, com a circunstância, que por haverem tido progenitores altos, ficaram sem nenhum. Depois daquela catástrofe fatal, parece que devia extinguir-se a vaidade da nobreza, mas não foi assim, porque aquela vaidade só mudou de espécie, e o engano, de figura; a mitologia converteu-se em genealogia, humanizou-se. A igualdade sempre foi para os homens uma coisa insuportável, por isso entraram a forjar novos artifícios com que se distinguissem, e ficassem desiguais; e não tendo já deuses donde tirassem o princípio da nobreza, entraram a tirá-la de outras muitas vaidades juntas, compuseram uma nobreza toda humana, então nasceu aquela tal nobreza, como parto do poder e da riqueza.
Deixemos finalmente o sangue em paz, todo o seu trabalho é para ser sangue, e não para ser este ou aquele sangue; de que serve a arte de introduzir naquele líquido admirável, qualidades arbitrárias e civis, se a verdade é que ele só tem as qualidades naturais? Para que fazer ao sangue, autor daquilo, de que só é autor a vaidade?
Retirado do livro de Matias Aires da Silva de Eça, "Reflexões sobre a vaidade dos homens".
domingo, 10 de julho de 2011
Móveis Coloniais de Acaju - Ao vivo no Auditório Ibirapuera
Móveis é uma banda que eu acompanho já faz um bom tempo e reconheço ser tarefa das mais difícieis descreve-la em poucas linhas. Uma verdadeira "feijoada búlgara", como se autodenomina a própria banda. Dando uma simplificada geral, uma mistura na dose certa de rock, ska, ritmos brasileiros e do leste europeu.
Sem negar sua origem independente e inovadora no cenário musical brasileiro, seu último álbum está disponível para download gratuito pelo site da gravadora Trama. Isso sem falar que também foi uma iniciativa da própria banda postar esse vídeo com o DVD completo no youtube. Sem dúvida, figura entre as mais importantes bandas independentes do Brasil, se não a mais.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Tudo o que você não sabe sobre... o Eucalipto
Conhecido popularmente como uma espécie, o Eucalipto é na verdade um gênero (Eucalyptus) que inclui mais de 700 espécies da família botânica Myrtaceae, quase todas originárias da Austrália, existindo apenas um pequeno número de espécies próprias dos territórios vizinhos da Nova Guiné e Indonésia, e mais uma espécie (a mais setentrional) no sul das Filipinas. Adaptados a praticamente a todas as condições climáticas, os eucaliptos caracterizam a paisagem da Oceania de uma forma que não é comparável a qualquer outra espécie, noutro continente.
Quando cultivado em condições extremas, especialmente com largos períodos de déficit hídrico no solo, algumas espécies deste são extraordinariamente bem sucedidas na captação de água, reduzindo a dotação desta para outras plantas. Sabe-se, ainda, que outras espécies de eucalipto podem eliminar plantas competidoras por outros métodos.
Essa capacidade faz com que o eucalipto, nessas condições de clima, não seja uma boa opção em pendentes ou outras situações onde existe a possibilidade de erosão dos solos. Porém, a única coisa que essas habilidades indicam é que o eucalipto é uma planta com boa capacidade de superar condições extremas do meio. Além disso, trata-se de uma planta muito resistente a pragas e enfermidades, de rápido crescimento e altamente produtiva.
Muitos ambientalistas vêem o eucalipto como uma praga, inimiga dos biomas brasileiros. Exagero. A planta não é responsável pela forma como o homem a utiliza. Se há alguma praga aqui, somos nós. No passado era comum hectares de florestas nativas serem derrubados para a plantação de Eucalipto, mas usando a madeira de florestas plantadas em áreas anteriormente já devastadas (pela pecuária por exemplo), evita-se a exploração de florestas nativas. Não é certo ignorar que a madeira presente no dia-a-dia das pessoas sai de algum lugar, então que seja de florestas "artificias", devidamente manejadas.
A inalação de Eucalypto serve não só para curar a gripe e resfriados, mas também auxilia na desobstrução das vias respiratórias e atua como adjuvante no tratamento de asma e bronquite. Mascar suas folhas auxilia na melhora da inflamação da garganta, são feitos chá para gripe, rinite, dores musculares e até para aftas.
O eucalipto arco-íris (Eucalyptus deglupta) é o único representante da família dos eucaliptos encontrado naturalmente no hemisfério norte, em ilhas da Indonésia, Filipinas e Nova Guiné. Atualmente, essa árvore é amplamente cultivada ao redor do mundo onde é empregada principalmente na produção de papel. Entretanto, por causa de suas vistosas listras coloridas, o eucalipto também vem sendo utilizado para fins ornamentais.
A casca exterior cai anualmente em diferentes épocas, deixando aparecer o verde claro da parte interior, que vai escurecendo gradualmente resultando em tons de azul, roxo, laranja e marrom até amadurecer completamente.
Fonte de alguns dados: Wikipédia
Quando cultivado em condições extremas, especialmente com largos períodos de déficit hídrico no solo, algumas espécies deste são extraordinariamente bem sucedidas na captação de água, reduzindo a dotação desta para outras plantas. Sabe-se, ainda, que outras espécies de eucalipto podem eliminar plantas competidoras por outros métodos.
Essa capacidade faz com que o eucalipto, nessas condições de clima, não seja uma boa opção em pendentes ou outras situações onde existe a possibilidade de erosão dos solos. Porém, a única coisa que essas habilidades indicam é que o eucalipto é uma planta com boa capacidade de superar condições extremas do meio. Além disso, trata-se de uma planta muito resistente a pragas e enfermidades, de rápido crescimento e altamente produtiva.
Muitos ambientalistas vêem o eucalipto como uma praga, inimiga dos biomas brasileiros. Exagero. A planta não é responsável pela forma como o homem a utiliza. Se há alguma praga aqui, somos nós. No passado era comum hectares de florestas nativas serem derrubados para a plantação de Eucalipto, mas usando a madeira de florestas plantadas em áreas anteriormente já devastadas (pela pecuária por exemplo), evita-se a exploração de florestas nativas. Não é certo ignorar que a madeira presente no dia-a-dia das pessoas sai de algum lugar, então que seja de florestas "artificias", devidamente manejadas.
A inalação de Eucalypto serve não só para curar a gripe e resfriados, mas também auxilia na desobstrução das vias respiratórias e atua como adjuvante no tratamento de asma e bronquite. Mascar suas folhas auxilia na melhora da inflamação da garganta, são feitos chá para gripe, rinite, dores musculares e até para aftas.
O eucalipto arco-íris (Eucalyptus deglupta) é o único representante da família dos eucaliptos encontrado naturalmente no hemisfério norte, em ilhas da Indonésia, Filipinas e Nova Guiné. Atualmente, essa árvore é amplamente cultivada ao redor do mundo onde é empregada principalmente na produção de papel. Entretanto, por causa de suas vistosas listras coloridas, o eucalipto também vem sendo utilizado para fins ornamentais.
A casca exterior cai anualmente em diferentes épocas, deixando aparecer o verde claro da parte interior, que vai escurecendo gradualmente resultando em tons de azul, roxo, laranja e marrom até amadurecer completamente.
Fonte de alguns dados: Wikipédia
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Zero
Literalmente um zero à esquerda, o protagonista dessa fantástica animação, Zero, vive solitário e oprimido num mundo segregado por um sistema de classes numéricas, até encontrar um "zero fêmea" que o faz acreditar novamente que alguém sendo nada possa ser alguma coisa.
Técnicamente impecável, possuindo um roteiro criativo com uma linguagem extremamente simbólica, fazendo com que as legendas sejam dispensáveis na maior parte do tempo, esse belíssimo curta de animação em stop-motion trata de temas tão delicados como preconceito, intolerância e bulling sem deixar de ser, de certa forma, inocente e poético. Vários momentos lembram o estilo sombrio à la Tim Burton e também o longa de animação "Mary & Max", só pra citar referências, sem questionar a originalidade do curta. Enfim, é ver para crer.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Weird Al Yankovic - Bob
A música é uma paródia de Weird Al Yankovic (músico e humorista famoso nos EUA por suas sátiras) ao estilo Bob Dylan, mais especificamente usando como base o clipe da música Subterranean Homesick Blues, na forma de palíndromos, frases que podem ser lidas da mesma forma de trás pra frente (pra exemplificar, as palavras "Roma" e "amor" também são).
Imagine o trabalho que dá compor uma letra com essa estrutura. Preste atenção nas placas que Yankovic segura no clipe, que você irá entender melhor o que eu estou falando. Incrível. Uma paródia que soa mais como uma homenagem a genialidade musical do mestre folk: Bob Dylan.
domingo, 5 de junho de 2011
Reflexões sobre o amor na sociedade moderna
Na sociedade de hoje, muitas pessoas não vivenciam amor suficiente em suas famílias, escolas ou no trabalho. O amor que não consegue encontar um meio de expressão saudável geralmente surge em diversas formas pervertidas. Os crimes sexuais são manifestações deturpadas de uma tendência natural a amar, que não consegue se expressar de maneira construtiva.
O mundo está extremamente carente de um sentido mais intenso de comunidade e de um entendimento mais maduro de felicidade. Em nossas próprias vidas, podemos imaginar que seríamos mais felizes em um ambiente diferente, somente para descobrir que cada circinstância tem suas próprias complicações. Não podemos ter relacionamentos profundos e significativos ao lidar meramente com o nível de nossas coberturas externas. Um foco materialista automaticamente nos desqualifica para experimentar um nível de amor profundo.
Embora quase a maioria de nós preferisse experimentar felicidade e eliminar a dor de nossos relacionamentos esta atitude está embasada em um desejo de satisfazer nosso egoísmo. O amor genuíno pode de fato trazer-nos grande felicidade, porém também pode causar um sofrimento extremo.
Se pudermos examinar nossas vidas, um pouquinho que seja, notaremos que nossa maior dor vem, quase que invariavelmente, de relacionamentos com aquelas pessoas que amamos. Ao mesmo tempo, nossa maior alegria também vem de relacionamentos com os outros.
Qual o preço de uma vida de medo e desconfiança? Você paga caro, em termos de amor próprio, compaixão e preocupação. Você fecha portas e janelas, bem fechadas, mantendo o mal longe, mas tampouco permite que algo bom entre. Embora você não deva ser ingênuo, tenha coragem para abrir-se às experiências de amor que essa vida nos permite.
Mesmo que possamos ocasionalmente ficar perturbados com a atitude de alguém, o amor verdadeiro permanece firme porque está fundamentado em algo muito mais profundo do que o mero sentimento. Quando o amor é sentimental, qualquer distúrbio pode transformar inesperadamente o objeto de nosso afeto em inimigo.
Não podemos amar profundamente alguém que não conhecemos, ainda que possamos ter bons sentimentos para com aquela pessoa. O máximo que podemos expressar, nesses casos, é um sentimento de vaga admiração.
Mais do que doces palavras, o amor só se torna real através das nossas ações.
O mundo está extremamente carente de um sentido mais intenso de comunidade e de um entendimento mais maduro de felicidade. Em nossas próprias vidas, podemos imaginar que seríamos mais felizes em um ambiente diferente, somente para descobrir que cada circinstância tem suas próprias complicações. Não podemos ter relacionamentos profundos e significativos ao lidar meramente com o nível de nossas coberturas externas. Um foco materialista automaticamente nos desqualifica para experimentar um nível de amor profundo.
Embora quase a maioria de nós preferisse experimentar felicidade e eliminar a dor de nossos relacionamentos esta atitude está embasada em um desejo de satisfazer nosso egoísmo. O amor genuíno pode de fato trazer-nos grande felicidade, porém também pode causar um sofrimento extremo.
Se pudermos examinar nossas vidas, um pouquinho que seja, notaremos que nossa maior dor vem, quase que invariavelmente, de relacionamentos com aquelas pessoas que amamos. Ao mesmo tempo, nossa maior alegria também vem de relacionamentos com os outros.
Qual o preço de uma vida de medo e desconfiança? Você paga caro, em termos de amor próprio, compaixão e preocupação. Você fecha portas e janelas, bem fechadas, mantendo o mal longe, mas tampouco permite que algo bom entre. Embora você não deva ser ingênuo, tenha coragem para abrir-se às experiências de amor que essa vida nos permite.
Mesmo que possamos ocasionalmente ficar perturbados com a atitude de alguém, o amor verdadeiro permanece firme porque está fundamentado em algo muito mais profundo do que o mero sentimento. Quando o amor é sentimental, qualquer distúrbio pode transformar inesperadamente o objeto de nosso afeto em inimigo.
Não podemos amar profundamente alguém que não conhecemos, ainda que possamos ter bons sentimentos para com aquela pessoa. O máximo que podemos expressar, nesses casos, é um sentimento de vaga admiração.
Mais do que doces palavras, o amor só se torna real através das nossas ações.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Filmes ridículos, cenas incríveis - [25]
Papacu: Um épico dos filmes nacionais de faroeste... MAS HEIN??? FAROESTE BRASILEIRO??
sábado, 28 de maio de 2011
O Crocodilo
O crocodilo que do Nilo
Ainda apavora a cristandade
Pode ser dócil como o filho
Que chora ao ver-se desamado.
Mas nunca como ele injusto
Que se ergue hediondo de manhã
E vai e espeta um grampo justo
No umbigo de sua própria mãe.
O crocodilo espreita a garça
Sim, mas por fome, e se restringe
Mas e o filho, que à pobre ave
Acompanha no Y do estilingue?
A lama pode ser um berço
Para um crocodiliano
No entanto o filho come o esterco
Apenas porque a mãe diz não.
Tem o crocodilo um amigo
Num pássaro que lhe palita
Os dentes e o alerta ao perigo:
Mas no filho, quem acredita?
O filho sai e esquece a mãe
E insulta o outro e o outro o insulta
É ver o simples caimão
Que nunca diz: filho da puta!
O crocodilo tem um sestro
De cio: guia-se pelo olfato
Mas o filho pratica o incesto
Absolutamente ipso-facto.
Chamam ao pequeno crocodilo
Paleosuchus palpebrosus
Porém o que me admira é o filho
Que vive em pálpebras de ócio.
O filho é um monstro. E uma vos digo
Ainda por píssico me tomem:
Nunca verei um crocodilo
Chorando lágrimas de homem.
Ainda apavora a cristandade
Pode ser dócil como o filho
Que chora ao ver-se desamado.
Mas nunca como ele injusto
Que se ergue hediondo de manhã
E vai e espeta um grampo justo
No umbigo de sua própria mãe.
O crocodilo espreita a garça
Sim, mas por fome, e se restringe
Mas e o filho, que à pobre ave
Acompanha no Y do estilingue?
A lama pode ser um berço
Para um crocodiliano
No entanto o filho come o esterco
Apenas porque a mãe diz não.
Tem o crocodilo um amigo
Num pássaro que lhe palita
Os dentes e o alerta ao perigo:
Mas no filho, quem acredita?
O filho sai e esquece a mãe
E insulta o outro e o outro o insulta
É ver o simples caimão
Que nunca diz: filho da puta!
O crocodilo tem um sestro
De cio: guia-se pelo olfato
Mas o filho pratica o incesto
Absolutamente ipso-facto.
Chamam ao pequeno crocodilo
Paleosuchus palpebrosus
Porém o que me admira é o filho
Que vive em pálpebras de ócio.
O filho é um monstro. E uma vos digo
Ainda por píssico me tomem:
Nunca verei um crocodilo
Chorando lágrimas de homem.
Vinicius de Moraes
sexta-feira, 27 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Cine em Cena: O Rei da Comédia (1983)
Apesar do título esse filme não é uma comédia comum. Nem das escraxadas, nem semelhante ao humor negro comum dos irmãos Coen. Alguns momentos levam sim a risos, mas só, nada demais. O grande erro que você pode cometer ao ver esse filme é se preparar para assistir uma comédia, e não apreciar a verdadeira reflexão que esta obra maravilhosa pode nos proporcionar. Com um humor negro bem peculiar, Scorcese constrói uma fabulosa sátira à cultura da fama e das celebridades norte-americanas.
O longa já inicia abordando o dilema que vive o famoso comediante Jerry Langford (interpretado por Jerry Lewis, inspirado por sua própria biografia): o terrível preço da fama, onde fãs mais fervorosos podem se tornar inimigos do sossego e da privacidade, e, em níveis mais delirantes, verdadeiras ameaças. Apesar de tudo isso, Jerry não é caricaturizado como vítima no filme, ele nos é apresentado como um personagem mais complexo e de certa forma incoerente, afinal o grande comediante é na verdade um poço de mau humor longe das câmeras e do grande público.
Rupert Pumpkin (Robert de Niro, em grande performance), um aspirante a comediante com uma auto-confiança tão grande que chega ser hilária. Apesar de ser um personagem complexo, poderia se encaixar no típico e caricato "chato sem noção". Sonhando se tornar o mais novo rei da comédia, ele faz de tudo pra ter uma chance no programa de TV do famoso Jerry, mas ele sequer tem o mínimo de experiência, a não ser para as "réplicas" de papelão do seu quarto. Esses ensaios alias nos rendem as sequências cinematográficas mais gêniais do filme, como a hora em que a câmera se afasta por trás enquanto Pumpkin apresenta seu número à platéia de papelão e ao fundo aquelas gargalhadas falsas dos programas de humor da TV, ou quando sua mãe o interrompe abruptamente durante uma entrevista fantasiosa com os papelões (é ai que descobrimos que o "rei da comédia" ainda mora com sua mãe).
Mas quem nunca ensaiou diálogos que nunca aconteceram, atire a primeira pedra. A diferença é que esses delírios parecem ser literalmente cotidianos para o personagem de De Niro o que provoca vários daqueles momentos tipicamente incovenientes com o astro Jerry, o qual ele acredita realmente ser um grande amigo seu. Flutuando entre a realidade-fantasia, suas loucuras parecem ficar piores com o desenvolver da trama (o que nos causa muitas vezes um sentimento de vergonha alheia pelo personagem) culminando num plano absurdo, saído das mentes doentias de Pumpkin e Marsha (Sandra Bernhard, na pele de uma irritante fã desequilibrada, rica e apaixonada por Jerry).
Digno de nota que Pumpkin se acha dono de um incrível talento para a comédia, mas só nos apresenta de fato seu "fantástico" número lá pelo final do filme, o que com certeza foi genialmente pensado por Scorsese, cultivando em nós espectadores uma curiosidade cada vez maior sobre a veracidade do talento de Pumpkin
O final fecha com maestria o tema abordado e deixa uma ácida crítica no ar, tanto à sociedade e à mídia, quanto a própria cultura americana. Assinado por uma das grandes parcerias ator-diretor da história do cinema (Scorsese e De Niro), apesar de ter sido um fracasso nas bilheterias, na minha modesta opinião é um dos melhores da dupla, apesar de ser extremamente complicado dizer isso de um diretor com tantos filmes excelentes no currículo.
O longa já inicia abordando o dilema que vive o famoso comediante Jerry Langford (interpretado por Jerry Lewis, inspirado por sua própria biografia): o terrível preço da fama, onde fãs mais fervorosos podem se tornar inimigos do sossego e da privacidade, e, em níveis mais delirantes, verdadeiras ameaças. Apesar de tudo isso, Jerry não é caricaturizado como vítima no filme, ele nos é apresentado como um personagem mais complexo e de certa forma incoerente, afinal o grande comediante é na verdade um poço de mau humor longe das câmeras e do grande público.
Rupert Pumpkin (Robert de Niro, em grande performance), um aspirante a comediante com uma auto-confiança tão grande que chega ser hilária. Apesar de ser um personagem complexo, poderia se encaixar no típico e caricato "chato sem noção". Sonhando se tornar o mais novo rei da comédia, ele faz de tudo pra ter uma chance no programa de TV do famoso Jerry, mas ele sequer tem o mínimo de experiência, a não ser para as "réplicas" de papelão do seu quarto. Esses ensaios alias nos rendem as sequências cinematográficas mais gêniais do filme, como a hora em que a câmera se afasta por trás enquanto Pumpkin apresenta seu número à platéia de papelão e ao fundo aquelas gargalhadas falsas dos programas de humor da TV, ou quando sua mãe o interrompe abruptamente durante uma entrevista fantasiosa com os papelões (é ai que descobrimos que o "rei da comédia" ainda mora com sua mãe).
Mas quem nunca ensaiou diálogos que nunca aconteceram, atire a primeira pedra. A diferença é que esses delírios parecem ser literalmente cotidianos para o personagem de De Niro o que provoca vários daqueles momentos tipicamente incovenientes com o astro Jerry, o qual ele acredita realmente ser um grande amigo seu. Flutuando entre a realidade-fantasia, suas loucuras parecem ficar piores com o desenvolver da trama (o que nos causa muitas vezes um sentimento de vergonha alheia pelo personagem) culminando num plano absurdo, saído das mentes doentias de Pumpkin e Marsha (Sandra Bernhard, na pele de uma irritante fã desequilibrada, rica e apaixonada por Jerry).
Digno de nota que Pumpkin se acha dono de um incrível talento para a comédia, mas só nos apresenta de fato seu "fantástico" número lá pelo final do filme, o que com certeza foi genialmente pensado por Scorsese, cultivando em nós espectadores uma curiosidade cada vez maior sobre a veracidade do talento de Pumpkin
O final fecha com maestria o tema abordado e deixa uma ácida crítica no ar, tanto à sociedade e à mídia, quanto a própria cultura americana. Assinado por uma das grandes parcerias ator-diretor da história do cinema (Scorsese e De Niro), apesar de ter sido um fracasso nas bilheterias, na minha modesta opinião é um dos melhores da dupla, apesar de ser extremamente complicado dizer isso de um diretor com tantos filmes excelentes no currículo.



















