sábado, 24 de setembro de 2011

Patch Adams, o Médico e o Subversivo



Em 2007, no programa Roda Viva da TV Cultura, o excêntrico médico vai além do carisma de palhaço mostrado no filme onde é interpretado por Robin Willians e revela-nos também seu lado subversivo. Verdades inconvenientes que você nunca ouviu na TV.

domingo, 18 de setembro de 2011

{Palíndromos}


Roma tibi subito motibus ibit amor...*

Quem tem Roma vai a boca,
Quem tem boca vaia moça,
Que roubou meu coração
Temperou, deixou queimar
Na boca de um fogão

...Amor aviva, em Roma...** 

Quem tem boca canta cânticos
Românticos de Roma:
Da romã não há quem coma,
Sem sentir o seu sabor,
Quem não vai a Roma
 Buscar o seu amor?

...Roma é amor...**

Quem tem boca vai a Roma,
Anda um bocado, se apaixona
Beija boca, vai a lona
E a louca o abandona;
Quem ama vai a Roma.

Ahh, esses românticos... 
 Diego Ruas
* palíndromo em latim. Tradução: "Em Roma o amor lhe virá de repente."
** verso palindrômico.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Tim Burton's Frankenweenie - 1984



Victor Frankenstein (interpretado por Barret Oliver) é um garoto que cria filmes estrelado por seu amado cão, Sparky (um Bull Terrier). Depois que Sparky é atropelado por um carro, Victor aprende sobre o efeito dos impulsos elétricos nos músculos, durante uma aula de ciências na escola, e tem a desesperada idéia de trazer seu animal de estimação de volta à vida. Para a felicidade incalculável de Victor e terror geral dos vizinhos, sua idéia dá certo.

Com uma fotografia em preto-e-branco e cheio de referências ao Frankenstein original, esse ótimo e emocionante curta é uma interessante premissa do que viria a ser as características marcantes da direção do Tim Burton, que podem ser facilmente percebidas em "Ed Wood" e "Edward Mãos de Tesoura".

Tim Burton foi demitido da Disney por gastar o dinheiro da companhia nesse filme considerado "muito assustador para a família". Isso não impediu Disney de lançá-lo, embora censurado, em VHS depois de Burton ficar famoso. Ironia da vida ou não, já foi confirmado para o 2º semestre de 2012 uma adaptação do curta em um longa metragem de animação, dessa vez sem censuras, novamente lançado pela Disney.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.


Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras, 

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser ridículas. 


Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são ridículas. 


Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas. 


A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são ridículas. 


(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente ridículas.) 

Álvaro de Campos, pseudônimo de Fernando Pessoa.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Veneno Está na Mesa


O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.

O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para os cidadãos, que consumem os produtos agrícolas. Só quem lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. A idéia do filme é mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente, por conta de um modelo agrário perverso, baseado no agronegócio.

Um documentário do consagrado cineasta, Silvio Tendler.

sábado, 16 de julho de 2011

Conheça Antônio, o estagiário

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma Nobreza, que de Nobre Nada tem...

Por nobre, entendiam os antigos um herói, isto é, um homem distinto dos mais homens, e distinto por si, e não por outros; pelas suas próprias ações, e não pelas ações alheias. O heroísmo, e a nobreza, eram qualidades pessoais, e não hereditárias.
 
Estes e muitos outros pretendiam não menos nobre origem que a celeste, como descendentes dos deuses imortais; esta fábula não durou um dia só e admira-se que ela tivesse autoridade no conceito de homens polidos, sábios e prudentes, e, com tanta força que chegassem a fazer das fábulas, religião. Aquela foi a nobreza dos antigos, nobreza que tinha por princípio um engano introduzido e respeitado.

Desta sorte vem a nobreza a ser um meio por onde o vício se autoriza, o crime se justifica e a vaidade se fortalece. Cuidam os nobres, que a nobreza lhes permite tudo, mas cuidam mal, porque o certo é que a nobreza bem entendida não se fez para canonizar o erro.

Os efeitos da nobreza são muitos; ela dá merecimento, valor, saber, a quem não o tem; ela serve para fazer venerado a quem o não deve ser; ela faz que o crime fique muitas vezes impune; que a desordem se encubra, e se disfarce; que a soberba, a arrogância e a altivez, fiquem parecendo naturais e justas.

A história é uma das provas, com que a vaidade alega, e de que mais se serve na autenticidade da nobreza: prova incerta, duvidosa, fingida, e também algumas vezes falsa: nela se vêem muitos sucessos famosos, ações, combates, vitórias; muitos nomes a quem essas mesmas ações enobreceram, ilustraram. Mas, de quantas ações fará menção a história, que jamais se viram? De quantos sucessos, que nunca foram? De quantos combates, que nunca se deram? De quantas vitórias, que nunca se alcançaram? E de quantos nomes que nunca houveram? Não é fácil, que pelas narrações da história se possa descobrir a verdade dos sucessos; ela comummente se escreve, depois de terem passados alguns ou muitos séculos, de que se segue, que a mesma antiguidade é uma nuvem escura, e impenetrável, donde a verdade se perde, e esconde. Se a história se escreveu ainda em vida dos heróis, o temor, a inveja, a lisonja bastam para corromper, diminuir, ou acrescentar os fatos sucedidos: por isso já se disse, que para ser bom historiador, é necessário não ser de nenhuma religião, de nenhum país, de nenhum partido, de nenhuma profissão e mais que tudo, de preferência não ser homem.

Só para o homem estava guardado o serem distintos uns dos outros, e o distinguirem-se, não pelo valor de cada um, mas pelo valor das coisas que os distingue. A nobreza foi a maior máquina, que a vaidade dos homens inventou; máquina admirável, porque sendo grande, toda se compõe de nada. As outras vaidades, parece que são menos vãs, porque sempre têm algum objeto visível, mas por isso mesmo a vaidade da nobreza é uma vaidade sem remédio; mal incurável, porque se não vê.

Ainda a nobreza dos antigos tinha mais corpo, porque os ilustres iam buscar os seus ascendentes nos seus deuses e desta sorte ficavam os homens meio humanos e não inteiramente. Só assim podiam ser distintos, e desiguais na realidade. As distinções permaneceram, enquanto duraram as suposições da origem. Conheceu o mundo a impostura, e logo os deuses se acabaram, deixando os seus descendentes, feitos homens como os outros, e, com a circunstância, que por haverem tido progenitores altos, ficaram sem nenhum. Depois daquela catástrofe fatal, parece que devia extinguir-se a vaidade da nobreza, mas não foi assim, porque aquela vaidade só mudou de espécie, e o engano, de figura; a mitologia converteu-se em genealogia, humanizou-se. A igualdade sempre foi para os homens uma coisa insuportável, por isso entraram a forjar novos artifícios com que se distinguissem, e ficassem desiguais; e não tendo já deuses donde tirassem o princípio da nobreza, entraram a tirá-la de outras muitas vaidades juntas, compuseram uma nobreza toda humana, então nasceu aquela tal nobreza, como parto do poder e da riqueza.

Deixemos finalmente o sangue em paz, todo o seu trabalho é para ser sangue, e não para ser este ou aquele sangue; de que serve a arte de introduzir naquele líquido admirável, qualidades arbitrárias e civis, se a verdade é que ele só tem as qualidades naturais? Para que fazer ao sangue, autor daquilo, de que só é autor a vaidade?

Retirado do livro de Matias Aires da Silva de Eça, "Reflexões sobre a vaidade dos homens".

domingo, 10 de julho de 2011

Móveis Coloniais de Acaju - Ao vivo no Auditório Ibirapuera


Móveis é uma banda que eu acompanho já faz um bom tempo e reconheço ser tarefa das mais difícieis descreve-la em poucas linhas. Uma verdadeira "feijoada búlgara", como se autodenomina a própria banda. Dando uma simplificada geral, uma mistura na dose certa de rock, ska, ritmos brasileiros e do leste europeu.

Sem negar sua origem independente e inovadora no cenário musical brasileiro, seu último álbum está disponível para download gratuito pelo site da gravadora Trama. Isso sem falar que também foi uma iniciativa da própria banda postar esse vídeo com o DVD completo no youtube. Sem dúvida, figura entre as mais importantes bandas independentes do Brasil, se não a mais.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Tudo o que você não sabe sobre... o Eucalipto

Conhecido popularmente como uma espécie, o Eucalipto é na verdade um gênero (Eucalyptus) que inclui mais de 700 espécies da família botânica Myrtaceae, quase todas originárias da Austrália, existindo apenas um pequeno número de espécies próprias dos territórios vizinhos da Nova Guiné e Indonésia, e mais uma espécie (a mais setentrional) no sul das Filipinas. Adaptados a praticamente a todas as condições climáticas, os eucaliptos caracterizam a paisagem da Oceania de uma forma que não é comparável a qualquer outra espécie, noutro continente.

Quando cultivado em condições extremas, especialmente com largos períodos de déficit hídrico no solo, algumas espécies deste são extraordinariamente bem sucedidas na captação de água, reduzindo a dotação desta para outras plantas. Sabe-se, ainda, que outras espécies de eucalipto podem eliminar plantas competidoras por outros métodos.

Essa capacidade faz com que o eucalipto, nessas condições de clima, não seja uma boa opção em pendentes ou outras situações onde existe a possibilidade de erosão dos solos. Porém, a única coisa que essas habilidades indicam é que o eucalipto é uma planta com boa capacidade de superar condições extremas do meio. Além disso, trata-se de uma planta muito resistente a pragas e enfermidades, de rápido crescimento e altamente produtiva.


Muitos ambientalistas vêem o eucalipto como uma praga, inimiga dos biomas brasileiros. Exagero. A planta não é responsável pela forma como o homem a utiliza. Se há alguma praga aqui, somos nós. No passado era comum hectares de florestas nativas serem derrubados para a plantação de Eucalipto, mas usando a madeira de florestas plantadas em áreas anteriormente já devastadas (pela pecuária por exemplo), evita-se a exploração de florestas nativas. Não é certo ignorar que a madeira presente no dia-a-dia das pessoas sai de algum lugar, então que seja de florestas "artificias", devidamente manejadas.

A inalação de Eucalypto serve não só para curar a gripe e resfriados, mas também auxilia na desobstrução das vias respiratórias e atua como adjuvante no tratamento de asma e bronquite. Mascar suas folhas auxilia na melhora da inflamação da garganta, são feitos chá para gripe, rinite, dores musculares e até para aftas.


O eucalipto arco-íris (Eucalyptus deglupta) é o único representante da família dos eucaliptos encontrado naturalmente no hemisfério norte, em ilhas da Indonésia, Filipinas e Nova Guiné. Atualmente, essa árvore é amplamente cultivada ao redor do mundo onde é empregada principalmente na produção de papel. Entretanto, por causa de suas vistosas listras coloridas, o eucalipto também vem sendo utilizado para fins ornamentais.


A casca exterior cai anualmente em diferentes épocas, deixando aparecer o verde claro da parte interior, que vai escurecendo gradualmente resultando em tons de azul, roxo, laranja e marrom até amadurecer completamente.


Fonte de alguns dados: Wikipédia

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Zero



Literalmente um zero à esquerda, o protagonista dessa fantástica animação, Zero, vive solitário e oprimido num mundo segregado por um sistema de classes numéricas, até encontrar um "zero fêmea" que o faz acreditar novamente que alguém sendo nada possa ser alguma coisa. 

Técnicamente impecável, possuindo um roteiro criativo com uma linguagem extremamente simbólica, fazendo com que as legendas sejam dispensáveis na maior parte do tempo, esse belíssimo curta de animação em stop-motion trata de temas tão delicados como preconceito, intolerância e bulling sem deixar de ser, de certa forma, inocente e poético. Vários momentos lembram o estilo sombrio à la Tim Burton e também o longa de animação "Mary & Max", só pra citar referências, sem questionar a originalidade do curta. Enfim, é ver para crer.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Weird Al Yankovic - Bob


A música é uma paródia de Weird Al Yankovic (músico e humorista famoso nos EUA por suas sátiras) ao estilo Bob Dylan, mais especificamente usando como base o clipe da música Subterranean Homesick Blues, na forma de palíndromos, frases que podem ser lidas da mesma forma de trás pra frente (pra exemplificar, as palavras "Roma" e "amor" também são).

Imagine o trabalho que dá compor uma letra com essa estrutura. Preste atenção nas placas que Yankovic segura no clipe, que você irá entender melhor o que eu estou falando. Incrível. Uma paródia que soa mais como uma homenagem a genialidade musical do mestre folk: Bob Dylan.

domingo, 5 de junho de 2011

Reflexões sobre o amor na sociedade moderna

Na sociedade de hoje, muitas pessoas não vivenciam amor suficiente em suas famílias, escolas ou no trabalho. O amor que não consegue encontar um meio de expressão saudável geralmente surge em diversas formas pervertidas. Os crimes sexuais são manifestações deturpadas de uma tendência natural a amar, que não consegue se expressar de maneira construtiva.

O mundo está extremamente carente de um sentido mais intenso de comunidade e de um entendimento mais maduro de felicidade. Em nossas próprias vidas, podemos imaginar que seríamos mais felizes em um ambiente diferente, somente para descobrir que cada circinstância tem suas próprias complicações. Não podemos ter relacionamentos profundos e significativos ao lidar meramente com o nível de nossas coberturas externas. Um foco materialista automaticamente nos desqualifica para experimentar um nível de amor profundo.

Embora quase a maioria de nós preferisse experimentar felicidade e eliminar a dor de nossos relacionamentos esta atitude está embasada em um desejo de satisfazer nosso egoísmo. O amor genuíno pode de fato trazer-nos grande felicidade, porém também pode causar um sofrimento extremo.

Se pudermos examinar nossas vidas, um pouquinho que seja, notaremos que nossa maior dor vem, quase que invariavelmente, de relacionamentos com aquelas pessoas que amamos. Ao mesmo tempo, nossa maior alegria também vem de relacionamentos com os outros.

Qual o preço de uma vida de medo e desconfiança? Você paga caro, em termos de amor próprio, compaixão e preocupação. Você fecha portas e janelas, bem fechadas, mantendo o mal longe, mas tampouco permite que algo bom entre. Embora você não deva ser ingênuo, tenha coragem para abrir-se às experiências de amor que essa vida nos permite.

Mesmo que possamos ocasionalmente ficar perturbados com a atitude de alguém, o amor verdadeiro permanece firme porque está fundamentado em algo muito mais profundo do que o mero sentimento. Quando o amor é sentimental, qualquer distúrbio pode transformar inesperadamente o objeto de nosso afeto em inimigo.

Não podemos amar profundamente alguém que não conhecemos, ainda que possamos ter bons sentimentos para com aquela pessoa. O máximo que podemos expressar, nesses casos, é um sentimento de vaga admiração.

Mais do que doces palavras, o amor só se torna real através das nossas ações.